Quem são os culpados pela violência racial do policial na USP: só o policial? O Conselho Universitário e o Reitor da USP? O Governador?
A Educafro deu entrevista hoje, 10/1/2012, para o Jornal Nacional e outros Jornais de fora do Brasil.
 
Veja a nossa opinião transmitida aos meios de comunicação:
 

 
A Educafro está muito preocupada com o grau de violência sofrida pelo jovem negro NICOLAS MENEZES no campus da USP.
 
Solicitamos hoje, uma reunião URGENTE com o Governador Alckmin. Estamos aguardando a definição do dia e da hora.
 
O policial praticou um escandaloso abuso de autoridade e um escancarado RACISMO!Por outro lado, este policial é vítima de uma realidade transmitida a toda sociedade pela estrutura de exclusão na USP.
 
Acreditamos que 90% dos paulistanos tratariam aquele jovem negro como não estudante da USP, pois a USP vende esta imagem para todo o BRASIL: na USP não é lugar de negros/as!
É comum não ter negros na USP, pois a USP o exclui com um vestibular imoral. Ela adota uma compreensão imoral de meritocracia que gera grande estrago na harmonia ideal, pluri ética de nossa sociedade.  O policial seguiu esta mensagem subliminar transmitida pela USP: na instituição não é lugar de negros/as.
A USP pratica o racismo institucional e não se sente incomodada com esta prática, pois os sucessivos Governadores nada têm feito para mudar esta situação. O policial, por causa da prática tradicional da USP, tratou o jovem negro como se ele não fosse universitário. Se tivessem só jovens brancos naquele momento ele não reagiria assim. Punir só o policial e não corrigir as fontes que geram este tipo de comportamento é mais um ato de violência e serve apenas para esconder a fonte do problema. É uma postura injusta dos detentores do poder.
 
Em parte o policial é vítima da USP e do Estado. das estruturas de exclusão mantidas pelos Governantes.
 
Se ele percebesse que é comum negro ser universitário não o teria tratado daquele jeito.
 
Se ele não pode tratar nenhum cidadão daquela maneira! Universitário e não universitário. No entanto, se fosse comum negro ser aluno da USP este fato não teria este desfecho.
O Governador Geraldo Alckmin passa a ser também responsável se ele, como Governador não toma providências e continua a deixar o negro excluído das três Universidades Públicas. A falta de politicas públicas voltadas para garantir a inclusão de negros poderá gerar mais e mais incidentes como este. Quem é prudente pratica politicas preventivas.
 
Caso o governador Alckmin opte pela omissão iremos fazer um forte trabalho na Assembléia Legislativa exigindo que os vários projetos de lei que tramitam naquela casa, determinando que a USP, UNESP e UNICAMP saiam da omissão e adotem, por força de lei, cotas nas universidades, sejam votados.
 
Uma greve de fome em frente ao Palácio Bandeirantes está sendo cogitada como uma primeira pressão, após um tempo de espera.
 
Os governantes são responsáveis, a partir da promulgação da Lei Federal 12.288 de 20 de julho de 2010, pela inclusão dos negros nas universidades, no mercado de trabalho e nos concursos públicos.
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