Em virtude do plano de fechamento de Escolas Estaduais em São Paulo, diversos estudantes se organizaram nos bairros em um movimento estudantil que está ocupando várias escolas em apoio ao não fechamento de qualquer unidade educacional.

Para elucidar os andamentos dessas ocupações estudantis, realizamos uma visita à Escola Estadual Brigadeiro Gavião Peixoto, localizada no bairro de Perus, município de São Paulo, classificada como a maior escola pública da América Latina, com cerca de 3500 alunos e constatamos diversos estudantes unidos em prol ao mesmo propósito: o não fechamento de escolas públicas no estado de São Paulo.

A estudante Jaqueline de Oliveira Celestino, 18 anos, enfatiza que, ”essa ação do Estado não irá melhorar a qualidade de ensino, estão apenas preocupados em cortar investimentos na Educação. Se ocorrer irá prejudicar muitos pais de família e alunos que terão que se deslocar por grandes distâncias para conseguirem acesso à educação.”

Ressaltam que apesar de não haver, no primeiro momento, alteração na citada escola ocupada, se solidarizam com o atual movimento estudantil, pois entendem que a luta de qualquer estudante por uma educação de qualidade deve ser a luta de todos estudantes.

Diversas pessoas da comunidade são solidárias à essa nobre luta desses jovens estudantes e ativistas que buscam o direito de terem uma educação de qualidade.

Jaqueline ainda expõe: “Educação não é custo, é investimento. Existe um investimento nas ETECS que não existem sequer na maior Escola Pública da América Latina. Acompanhamento de psicólogos e assistentes sociais aos alunos são inexistentes. Durante os 92 dias da última greve dos professores do estado, haviam cerca 10% de professores presentes na escola, mesmo assim, os alunos que compareceram receberam nota 5,0 nos boletins de todas as matérias mesmo sem ter feito avaliação.”

Os estudantes entrevistados apontam como solução inicial para a melhoria da educação no Estado de São Paulo, o fim da aprovação automática, a contratação de professores de todas as matérias e o uso integral dos livros didáticos comprados.

O estudante Erick Barros de Almeida, 18 anos, que cursa o 1º ano do Ensino Médio na E. E: Gavião Peixoto nos revelou: “Só tenho professores de matemática, biologia, química, educação física e artes. As notas das outras matérias são lançadas como se eu tivesse tido as aulas e as provas, no mínimo 5,0 pontos que são necessários ao funcionamento da progressão continuada. Só repetem alunos que não comparecem durante todo ano. Os professores raramente utilizam em sala de aula os livros didáticos disponibilizados.”

Aproveitamos a oportunidade para constatar junto aos estudantes que a quadra poliesportiva encontra-se fechada há mais de 4 anos, computadores estão encaixotados há mais de 3 anos sem uso, existe constante falta de verbas para a limpeza da escola, além de milhares de livros didáticos novos que são jogados no lixo por falta de utilização.

Os estudantes pretendem continuar a ocupação das escolas até que a Secretaria Estadual de Educação retroceda na ação de reorganização das escolas e estão determinados à boicotar o SARESP, que é uma avaliação aplicada pelo Governo Estadual paulista visando diagnosticar a educação básica e tem data prevista para aplicação nos dias 24 e 25 de novembro. Segundo os estudantes essa avaliação é apenas uma forma do Governo “maquiar” a péssima qualidade da educação ofertada e não traduz a realidade do ensino público. Durante esse período estão se mantendo com ajuda de coletivos de movimento estudantis constituídos, associações e das pessoas de comunidades vizinhas às escolas ou de voluntários.

As pessoas que queiram doar mantimentos ou sintam vontade de participar da movimentação, devem priorizar o envio de lanches secos para que os estudantes continuem se mantendo na luta ou comparecer à alguma das escolas ocupadas para se juntar à essa ocupação. Para tanto disponibilizamos NESSE LINK um mapa interativo com todas as escolas ocupadas atualmente.
[h4]Fotos da E.E. Brigadeiro Gavião Peixoto[/h4]