Carta aberta à sociedade e a todos os ACADÊMICOS DA ABL

A/c do Acadêmico

Marco Lucchesi.

Presidente da Academia Brasileira de Letras

      A EDUCAFRO, representada por sua Mantenedora, FAECIDH – Francisco de Assis, Educação, Cidadania, Inclusão e Direitos Humanos, pessoa jurídica de direito privado sem fins econômicos, com sede a Rua Riachuelo, 342, CEP 01.007-000, Centro, São Paulo/SP, inscrita no CNPJ sob o nº 10.621.636.0001-04, reconhecida como organização da sociedade civil brasileira pela Organização dos Estados Americanos – OEA, através do ato CER/DIA/537 de 15/11/2011, neste ato representada pelo seu Diretor Presidente Frei David Raimundo Santos OFM, brasileiro, portador da Carteira de Identidade nº 52.480.619–6, CPF nº 317.515.207–49, vem, respeitosamente, perante os Acadêmicos apresentar a nossa ilustre escritora afro-brasileira Conceição Evaristo, como o nome para compor este espaço de saber. Sabemos que a Academia Brasileira de Letras está inserida em um dos maiores país em população negra fora do continente africano! Nossa pergunta é:

COMO AJUDAR A ACADEMIA A REFLETIR A COMPOSIÇÃO ÉTNICA BRASILEIRA?

A Academia Brasileira de Letras segundo Domício Proença Filho, quando não se abre a refletir a realidade e o perfil de seu povo, acaba voltando-se a si mesma, o que não é saudável. Poderíamos citar nesta presente carta nomes de vários intelectuais negros que contribuíram de forma significativa para a cultura e cidadania nacional. Quantos foram incluídos na ABL, ao longo destes anos?  Um exemplo é Abdias do Nascimento que atuou não somente na promoção e luta por políticas públicas, mas escreveu um livro e apresentou ao Brasil, com uma proposta de nova maneira de se organizar na sociedade, saindo da proposta binária entre Capitalismo e Comunismo. Sua proposta recebeu o nome de “QUILOMBISMO, transformada em livro que, acreditamos, será um dia amplamente debatido pelos brasileiros!

No desdobramento da atualidade temos enquanto personalidade nacional Conceição Evaristo (Maria da Conceição Evaristo de Brito), escritora produtora de grande e imensa contribuição à literatura e cultura nacional.  Suas obras refletem o retrato do lado discriminado e abandonado do povo brasileiro em suas especificidades e pluralidades. A literatura de Conceição Evaristo têm o rosto de 54% do Brasil! Sua escolha como membra da Academia Brasileira de Letras continuará a trazer a Academia, a modernidade de mãos dadas com a diversidade de etnias que tanto enriquece o Brasil.

A Academia Brasileira de Letras têm grande potencial e este pode ser ampliado a partir do momento em que a academia tiver em seu corpo membros que representem o todo o Brasil, na mesma proporção indicada pelo IBGE: 54% do povo brasileiro.

Conceição é uma escritora reconhecida nacionalmente e internacionalmente. Graduada em Letras – Universidade Federal do Rio de Janeiro (1990). Mestre em Letras – PUC – Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (1996). É Doutora em Letras (Literatura Comparada) pela  UFF – Universidade Federal Fluminense. Atua nas áreas de Literatura e Educação, com ênfase, em gênero e etnia. É assessora e consultora em assuntos afro-brasileiros para pesquisadores brasileiros e estrangeiros. Poetisa, romancista e ensaísta. Parte de sua produção poética aparece em Cadernos Negros, publicação do Grupo Quilombhoje. Autora dos romances “Ponciá Vicêncio” e “Becos da memória”; Antologia poética “Poemas da recordação e outros movimentos” e Antologia de Contos “Insubmissas lágrimas de mulheres”. O romance “Ponciá Vicêncio” tem sido indicado como obra de leitura em vestibulares de universidades brasileiras. Em 2007 foi traduzido para a língua inglesa e está em processo de tradução para a língua francesa. Temos certeza de que os acadêmicos saberão, neste ano dos 130 anos da Lei Áurea e onde a ONU decretou a “DÉCADA DO AFRODESCENDENTE” saberá fazer este reconhecimento, quebrando o domínio eurocêntrico do saber.