A EDUCAFRO está super radiante, com esse momento novo!

A nota da COALIZÃO negra por direitos é muito rica, pois ela amplia um debate inconcluso. Nós, entidades da comunidade Afro-brasileira, sempre optamos por passeatas, carta aberta, greves e outros bons instrumentos de luta. Sem negar esses, a EDUCAFRO entendeu que estava na hora de ampliarmos nossas ferramentas.

Depois de boas avaliações, concluímos que, o que mais machuca os poderosos é terem que enfiar as mãos nos seus cofres e pagarem, financeiramente, altas indenizações por seus erros. O Deus do mundo empresarial de hoje é o dinheiro.

Nossa ação civil pública colocou o Deus do empresariado na parede.

Teve que dividir “valores do seu Deus” com o povo que se sentiu ofendido pelos erros do Carrefour.

Essa é a maior indenização coletiva, de todos os tempos, no Brasil e na América Latina.

Foram 6 meses de muito trabalho dos nossos advogados/as voluntários e demais membros, que se debruçaram noites, procurando fazer o melhor.

Todas as entidades da Frente Nacional Antirracista assumiram juntas, esse inédito processo.

A EDUCAFRO e o Centro de Direitos Humanos Santo Dias, apenas emprestaram seus nomes. Quem olha a inicial da ação civil pública vai encontrar lá os 38 pontos debatidos e enviados pela FNA para compor, inicialmente a ação civil pública e, posteriormente o TAC (termo de ajuste e conduta), com a excelente participação da Defensoria Estadual, do MPF, MP-RS, MPT, DPU. A história um dias, através de um livro escrito por alguém inspirado, irá contar os bastidores dessa vitória inovadora!

Temos certeza de que estamos inovando a metodologia de luta da comunidade Afro, do Brasil, da América Latina e, porque não dizer, do mundo!

Após esse TAC as lutas contra o racismo estrutural irão ganhar incríveis e positivas dimensões e ferramentas, empoderando as entidades da sociedade e fazendo as empresas se anteciparem e investirem na formação Antirracista de de todos que compõem seus quadros. Desde do mais alto escalão até os servidores na ponta.

Todo o acúmulo adquirido nas negociações com o Carrefour, já estamos colocando em prática no processo que abrimos contra o supermercado Atakarejo que matou, não um e sim, dois irmãos negros, que subtrairam alimentos do supermercado para matar a fome de sua família. Isso doe o nosso coração.

Na tradição cristã, subtrair alimentos para matar a fome de pessoas necessitadas, nem é pecado! Quando mais chamar a milícia e entregar em suas mãos, duas vítimas negras famitas para serem torturadas e exterminadas com mais de 30 tiros, por necessitarem levar alimentos para sua família.

O nosso escritório jurídico afro, ainda não formatado, já está dando seu sangue para atingir grande vitória para a população afro-brasileira, também no caso da tortura do Atakarejo.

Frei David Santos ofm Diretor Executivo da EDUCAFRO Brasil

 

Veja mais em https://noticias.uol.com.br/cotidiano/ultimas-noticias/2021/06/24/nao-negociamos-a-vida-de-pessoas-negras-diz-sociologa-sobre-carrefour.htm

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