Sem negros na equipe: MP dá parecer favorável à Educafro contra XP investimentos

 

Ação movida pela ONG indica tese inédita para combater exclusão no mercado de trabalho. Corretora viralizou após publicar foto de sua equipe, sem nenhum afro-brasileiro

 

O Ministério Público do Trabalho do Rio Grande do Sul (MPT-RS) concedeu, na última segunda-feira (25/10), parecer favorável à ação movida pelo projeto Educafro contra a Avel XP Investimentos. A ação foi movida após foto publicada pela corrretora de valores de Porto Alegre (RS), XP Investimentos, assessorada pela Avel, mostrar sua equipe de funcionários, sem nenhum afro-brasileiro entre eles. Na decisão, a Justiça concedeu 15 dias para a defesa das empresas e pediu R$ 10 milhões pela falta de diversidade entre os funcionários.

Segundo Frei David Santos, diretor executivo da Educafro Brasil, a ação visa conscientizar as empresas brasileiras a serem responsáveis no combate à exclusão do povo afro-brasileiro do mercado de trabalho. “Queremos que todas as empresas brasileiras sejam responsáveis e trabalhem, internamente, a atitude consciente de continuar a excluir o povo afro-brasileiro das oportunidades trabalhistas. Isso chama-se racismo institucional”, diz o diretor.

David também critica a resposta dada pela XP e pela Ável no processo. “Culpar a realidade nacional pela exclusão do negro é o mesmo que culpar o clima pela opressão aos povos indígenas”. Segundo Frei, o campo da economia brasileira, entre todos, é um dos mais excludentes quando se trata da participação do povo afro-brasileiro, especialmente no mercado financeiro. “É um dos espaços que mais lucra em cima dos pobres e dos negros e, ao mesmo tempo o que mais exclui”, alerta.

Tese

Segundo o diretor do projeto, que tem como principal objetivo lutar pela inclusão de negros e pessoas de baixa renda nas universidades públicas ou em universidades particulares com bolsa de estudos, o parecer do MPT-RS está bem posicionado. “A tese criada pelos advogados e advogadas da Educafro e das entidades é inédita e vai marcar fortemente o debate nacional daqui para a frente. Essa tese inédita vai fazer a cultura jurídica avançar e crescer”, conta David.

Ainda segundo Frei David, apesar do cenário ainda bastante distante do ideal, existem bons exemplos de luta pela diversidade no mercado de trabalho. “Se essas diferenças já estão solidificadas por um empresariado atrasado, precisamos fazer esses mesmos empresários acordarem e mudarem de atitude. O fato, que nos alegra muito, é o de ver que várias empresas, como a Magalu, não estão esperando que as várias entidades que representam o diversificado movimento negro, com opiniões bem divergentes, abram novos processos. Já estão saindo na frente”, defende o diretor.

Em nota, a XP Investimentos se pronunciou, veja a íntegra:

“Desde a criação da diretoria de ESG, em março de 2020, a XP Inc. vem ampliando seu compromisso com a sociedade. A área vem atuando de forma contínua e propositiva na promoção de ações afirmativas dentro da companhia, hoje com quase 5 mil funcionários. Ao todo, estão sendo investidos mais de R$35 milhões em iniciativas voltadas à diversidade, inclusão e equidade racial para o público interno e externo.

Até 2025, a XP Inc. tem o propósito impactar mais de 500 mil pessoas, chegando a 50% o quadro de profissionais composto por mulheres em todo os níveis hierárquicos e contratando 32% de pessoas negras na companhia, sendo 23% de negros em cargos de liderança (atualmente, já contam com 12,5% de pessoas negras na liderança). Além disso, busca superar o número de 5% de contratação de pessoas com deficiência exigido por lei e promover a educação financeira de 50 milhões de brasileiros nos próximos 10 anos. Estas são algumas das principais metas a curto, médio e longo prazo da agenda ESG estabelecidas pela XP Inc em 2020.

No último ano, foram criadas metas internas para aumentar a contratação, também na liderança, de pessoas negras, mulheres, LGBTQIA + e PCDs. Até 2022, o objetivo é impactar mais de meio milhão de pessoas em todo o país. Para acelerar as ações de D&I, também foram criados grupos de afinidade interna, como o Blacks (coletivo de pessoas negras da XP), o MLHR3 (coletivo de mulheres), o Incluir (pela inclusão de pessoas com deficiência e acessibilidade) e o Seja (por um ambiente mais seguro, respeitoso e diverso para pessoas LGBTI+ na XP).

Essas são uma das centenas de ações realizadas pela companhia com o intuito de impactar mais de meio milhão de pessoas em todo o país. A XP reforça seu compromisso em fazer transformações significativas e reconhece que a diversidade, inclusão e equidade racial e de gênero na companhia e em sua rede de parceiros é uma questão de extrema importância dentro do seu propósito e cultura.” 

O MPT sugeriu que o caso seja discutido em uma audiência de conciliação, ainda sem data definida.

Fonte: Sem negros na equipe: MP dá parecer favorável à Educafro contra XP investimentos (correiobraziliense.com.br)