Tirou nota baixa no ENEM? Quer passar em uma Federal?

Quatro dicas para o aluno negro e branco pobre, com nota baixa no ENEM, para conseguir ser vitorioso!

 
1 - Se sua nota foi baixa, não se culpe! Foi a péssima qualidade de ensino que o estado lhe concedeu.Então não se frustre! Siga as dicas da EDUCAFRO que seguem.
 
2 - Caso não seja contemplado, nem na 1ª ou 2ª chamadas do SiSu, entre direto no site da Universidade Federal e se inscreva para as vagas remanescentes, O que lhe da uma nova chance de concorrer (e a procura é super pequena!). Entre num curso afim ao do seu interesse e, seis meses depois, faça a transferência para o curso dos seus sonhos!
 
3- A Educafro tem Alunos que tinham notas muito baixas, (média de 300 pontos!) e, no entanto, eles conseguiram vagas remanescentes. 
 
4 - Caso o Aluno pobre que entre numa Federal e não consiga Bolsa Moradia/ Alimentação, entre em contato com a Educafro (site@educafro.org.br). Vamos entrar com um Mandado de Segurança contra a Universidade! As universidades são obrigadas a lhe conceder a bolsa, em caráter de urgência, mas, vendo o aluno "bobinho", elas costumam enrolar.
Vitória à vista, lhe deseja a família EDUCAFRO!

SISU 2015 – SISTEMA DE SELEÇÃO UNIFICADA - Inscrições: de 19/01 até 22/01

Começaram hoje(19/01/2015) as inscrições para o Sisu, o Sistema de Seleção Unificada que oferece mais de 205 mil vagas nas universidades e institutos federais de ensino. Mas atenção: o Sisu, agora, só tem uma chamada.

Cinco milhões e seiscentos mil estudantes podem participar do Sisu. Eles fizeram o Enem no ano passado e não tiraram nota zero na redação. Estes são os únicos requisitos para tentar uma vaga numa universidade pública através do Sistema de Seleção Unificada. Para se inscrever é só acessar a página do Sisu na internet, com o número de inscrição do Enem de 2014 e uma senha. Dá para escolher duas opções de curso.

sisu2015

Tire suas duvidas:

  1. Como funciona?
  2. Conheça o SISU.
  3. Como obter o certificado do ensino Médio?


ProUni - 10 anos: Lutas, Vitórias, Avanços e Novos Desafios

No último dia 13/1/2015, quando o ProUni completou 10 anos, a EDUCAFRO prestou homenagem a todos os Partidos que deram seu voto e permitiram surgir 
uma das maiores políticas públicas de ESTADO em nosso país!
 
Veja os slides no link abaixo e dê-nos sua opinião.

 


Eleições em dois turnos para deputados e vereadores

unnamed (3)O Brasil está às voltas com uma necessidade imperiosa: a reforma política. Embora seja unânime essa constatação, divergem os partidos quanto ao sistema eleitoral a ser adotado em substituição ao vigente. Temos regras para a composição do Parlamento que datam, como poucas alterações, de 1932, quando editado o nosso primeiro Código Eleitoral, sob influência da luta contra a fraude eleitoral aberta por Getúlio Vargas e seus apoiadores na Revolução de 1930. Desde então temos entre nós a experiência rarissimamente utilizada no mundo do sistema proporcional de listas abertas, marcada pela votação nominal transferível.

Esse sistema tem por base o exercício concomitante do voto num partido e num candidato. Ao sufragar o nome do postulante a um cargo de deputado, o eleitor declara sua preferência por um partido e, ao mesmo tempo, sua predileção por um candidato. Mas enquanto o primeiro voto serve diretamente para definir quantas cadeiras o partido conquistará, a segunda parte do voto possui um efeito meramente potencial. Se o candidato escolhido pelo eleitor não estiver entre os mais votados, cada voto por ele recebido terá ajudado a eleger outras pessoas, talvez em descompasso com a vontade livre do eleitor.

Para se explicar de forma simples e objetiva, deveria ser dito ao eleitor que seu voto em um candidato a vereador ou a deputado significa que ele escolheu um partido ou coligação, e que gostaria que o eleito fosse aquele da sua escolha, mas que não deve se incomodar se voto beneficiar outro candidato qualquer.

Trata-se de um modelo complexo e de duvidosa constitucionalidade: falta-lhe o devido respeito ao princípio da transparência. Hoje voto é uma lança atirada na escuridão, em que o eleitor não pode saber em qual alvo acertará.

A essa grave falha presente no sistema eleitoral, os maiores partidos respondem com sua possível substituição pelo sistema de lista fechada ou pelo sistema distrital – misto ou puro.

Ambos têm virtudes, mas apresentam defeitos que lhes retiram a capacidade de conquistar um número de adeptos suficiente para assegurar sua aprovação pelo Congresso Nacional.

A lista fechada tem o mérito de elevar o nível do debate político, levando-o do individualismo à discussão de programas. Mas cai ante a sua impopularidade, fundada na cultura popular de definição direta dos eleitos.

Já o sistema distrital tem o mérito de impedir a transferência de votos, mas tem o defeito de favorecer o clientelismo e os vínculos paroquiais. Além disso, para a adoção do modelo distrital seriam necessários três quintos do Congresso Nacional, algo que mesmo o analista menos informado sabe politicamente impossível.

Essas observações nos levaram a desenvolver a ideia do sistema eleitoral proporcional em dois turnos. Não se trata de uma ideia exótica ou sem alicerce na experiência histórica. Apenas separamos em duas etapas um processo que hoje ocorre de forma concomitante. Por esse modelo, o eleitor comparecerá à urna em primeiro turno para votar em uma sigla representativa de partido. Assim agindo, ele ajuda a definir quantas cadeiras o partido alcançará. No segundo turno, o partido apresenta candidatos em número proporcional ao de assentos conquistados na primeira volta.

Trata-se de um corte realizado por razões didáticas, apresentando muitas vantagens sobre o modelo atual. O eleitor é levado a uma campanha fracionada em dois momentos: um programático, outro pessoal. No primeiro exaltam-se bandeiras e propostas; no segundo, define-se quem serão os responsáveis por buscar a concreção dessas ideias. Ao votar no seu candidato na segunda etapa, o eleitor estará a salvo de que seu voto beneficie outro. Além disso, o modelo permite a redução do número de candidatos, algo necessário para a diminuição dos custos de campanha e para que os eleitores possam conhecê-los melhor.

O voto proporcional em dois turnos – também chamado de “voto transparente” – tem o mérito da lista fechada de elevar o nível do debate político e o do sistema distrital de assegurar a eleição dos mais votados. Garante ao eleitor a palavra final sobre os eleitos, ao passo em que assegura participação parlamentar às diversas correntes de pensamento.

O voto transparente tem ainda a virtude de ser passível de aprovação pela maioria simples dos congressistas, eis que veiculado por meio de projeto de lei ordinária.

Por esses méritos, esse aperfeiçoamento do sistema vigente conta hoje com o apoio de 104 organizações nacionais da maior envergadura, dentre as quais cito a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, a Ordem dos Advogados do Brasil, o Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral e a Plataforma dos Movimentos Sociais pela Reforma do Sistema Político. Juntas, elas integram a Coalizão pela Reforma Política Democrática e Eleições Limpas, e já coletaram 600 mil assinaturas para uma iniciativa popular que – nos moldes da Lei da Ficha Limpa – pautará o debate sobre o tema no Congresso Nacional neste ano de 2015.

É uma das partes mais importantes da reforma política por iniciativa popular.


Pós em universidade Federal

Família Educafro,

 

 Aí está mais uma grande oportunidade de fazer pós-graduação FEDERAL e curso de capacitação gratuitos!

Retificação de cronograma do edital 981/2014. As inscrições para o CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO no Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de São Paulo – SP (IFSP-SP) (pós-graduação) em PROEJA FORAM PRORROGADAS ATÉ O DIA 16/01/2015. Confira o novo cronograma no documento abaixo. As demais informações constam no edital 981/2014.

As inscrições poderão ser feitas exclusivamente na Secretaria dos cursos de pós-graduação, na Rua Pedro Vicente, 625. Horário: 09h às 12h e 15h às 19h (exceto aos sábados, domingos e feriados). www.https://spo.ifsp.edu.br/

 Curso de Capacitação para Museus - Em Santos –

INSCRIÇÕES no SITE www.sisemsp.org.br, de 17 de dezembro de 2014 a 16 de janeiro de 2015.

Local: Museu Pelé – Largo Marquês de Monte Alegre, s/nº (Antiga Rua São Bento, nº392, Valongo - Santos/SP)
Horários
: das 9h às 17h
Carga Horária:
 120 horas/aula
Vagas:
 40 / As aulas começam em fevereiro de 2015.
Adesão: gratuita


Em medida inédita no país, Haddad inclui estrangeiros no Bolsa Família

A prefeitura de São Paulo decidiu seguir o Estatuto do Estrangeiro e tornar o programa acessível também a imigrantes; até 50 mil pessoas em extrema pobreza, entre haitianos, bolivianos e africanos, poderão ser beneficiadas 

Por Redação 

Pela primeira vez no Brasil uma cidade vai acolher estrangeiros no programa federal Bolsa Família. A medida foi anunciada nesta quinta-feira (5) pela prefeitura de São Paulo e vai beneficiar até 50 mil imigrantes, entre haitianos, bolivianos e africanos que vivem na capital paulista em situação de extrema pobreza.

A ideia, de acordo com o secretário municipal de Direitos Humanos e Cidadania, Rogério Sottilli, é a de combater a situação de vulnerabilidade dessas pessoas, sujeitas, muitas vezes, ao trabalho escravo.

“Queremos evitar que a pessoa se submeta à condição degradante por um prato de comida. O Bolsa Família é fundamental para isso”, afirmou o secretário em alusão aos casos de trabalhos análogos à escravidão que foram descobertos. Recentemente, uma operação que contou com a participação da prefeitura resgatou mais de 30 imigrantes bolivianos trabalhando quase como escravos para uma confecção da Renner, na zona norte.

A inclusão foi possível graças a um entendimento do Ministério do Desenvolvimento Social do Estatuto do Estrangeiro, que prevê que os imigrantes tenham os mesmos direitos que os brasileiros. De acordo com Sotilli, nem a própria gestão municipal sabia, até a pouco tempo, dessa possibilidade de inclusão.

“Não é piedade. É do interesse da cidade que esses imigrantes se desenvolvam e produzam para fazer São Paulo crescer”, disse.

Para ter acesso ao benefício, o imigrante terá que possuir ao menos o protocolo do pedido de refúgio ou o Registro Nacional de Estrangeiros, além de CPF e renda de, no máximo, R$140 mensais.

fonte: spresso sp


Nota da EDUCAFRO sobre artigo publicado no site da Revista Veja em 11 de novembro de 2014

A REVISTA VEJA FEZ UMA ABORDAGEM INCOMPLETA

 

Lamentável que a revista Veja foi superficial na produção da matéria citada. A indignação da EDUCAFRO é muito mais ampla e profunda: além de trabalharmos há anos por uma urgente reforma política (https://www.reformapoliticademocratica.org.br), em conjunto com a OAB, CNBB, MCCE, e muitas outras entidades, (pena que ao longo dos anos a Veja e nenhum Partido Político abraçou esta causa), queremos também que os partidos da oposição e da situação devolvam ao povo negro o fundo para Programas de Inclusão, que existia no Estatuto da Igualdade Racial. Por acordo dos partidos da situação com a oposição esse fundo foi removido do mencionado Estatuto. Absurdo!

Não se faz políticas públicas sérias só com cotas e sem investimentos financeiros! Será que a Revista Veja não sabe disto? A revista Veja foi, mais uma vez, incompleta.

Tão importante quanto o abaixo-assinado pela Reforma Política é o outro abaixo-assinado que o público EDUCAFRO está fazendo (e a Revista Veja desonestamente não divulgou), EXIGINDO A CRIAÇÃO DO FUNDO NACIONAL DE COMBATE AO RACISMO.

É inaceitável ver a omissão de todos os Partidos Políticos na questão da não implementação das bolsas para alimentação e moradia dos estudantes pobres, negros e brancos, beneficiados pelo programa de cotas nas Universidades Federais. É bom destacar à Revista Veja que, se ela fosse um órgão de imprensa realmente a serviço dos brasileiros, iria fazer qualificadas matérias mostrando o drama dos estudantes cotistas que sofrem sérias necessidades.

Estimamos que, de cada 100(cem) alunos pobres (brancos e negros) que solicitaram ajuda moradia e alimentação, em suas Universidades Federais, nos últimos 6(seis) meses, nem 20% conseguiram. Por que a Revista Veja não divulga isto? Não quer ver a vitória dos cotistas pobres e negros? Eles estão passando necessidades e os partidos políticos da oposição e da situação nada fazem para mudar esta realidade! Não incluíram, mais uma vez, no orçamento do país para 2015, verbas que garantam a assistência estudantil a todos os alunos pobres das Universidades Federais.

O mesmo acontece com os bolsistas do ProUni: nem 2% dos pobres recebem bolsa moradia e alimentação. Tem sido considerável a desistência de alunos pobres nas Universidades Federais, por falta deste apoio, em garantir o sucesso desta camada excluída da nação brasileira. Por que a Revista Veja não tem interesse em fazer matérias sobre este assunto? O abaixo-assinado, que a Revista Veja escondeu dos seus assinantes e do público em geral, questiona indiretamente os Partidos que a Revista Veja ataca e os que ela defende. Por que foi omissa nesta informação ao público?

A EDUCAFRO, entidade apartidária e que realiza fortes pressões contra o PT e o PSDB por políticas públicas para a população negra, substituiu os outros tradicionais atos de cidadania de seus universitários (que acontecem há mais de 15 anos!) por estas coletas de assinaturas que beneficiam os próprios universitários!

Ninguém é obrigado a se filiar ou se manter filiado à Educafro! Aliás, isso decorre de direito fundamental assegurado pela Constituição Federal, artigo 5º, inciso XX: "Ninguém poderá ser compelido a associar-se ou permanecer associado...". Logo, não há que se falar como mentirosamente afirmou a Veja em "submeter universitários a chantagens e muito menos extorsões." Os associados da Educafro têm benefícios, como bolsas em faculdades obtidas pela entidade com muita dedicação, mas também têm diversos deveres, ligados aos objetivos institucionais e estatutários da entidade na luta pelos direitos dos excluídos e pobres em geral, estatuto esse que a Veja não se deu ao trabalho de ler. Será que se algum jornalista da Veja não seguir a linha editorial estabelecida pela revista, continuará trabalhando e recebendo seu salário?

Agora, no dia 20 de novembro, todos os universitários da EDUCAFRO irão para a Praça do Teatro Municipal de São Paulo, às 12:00hs, exigir bolsa moradia e alimentação para todos os universitários pobres, principalmente os cotistas nas Universidades Federais e no ProUni – bem como nas Universidades Estaduais de São Paulo – USP, UNESP e UNICAMP.

 

No citado ato, vamos parabenizar o Governo do Estado do Rio de Janeiro que garante bolsa moradia e alimentação para todos os pobres que entram nas Universidades do Estado do Rio de Janeiro através das COTAS. Este mesmo Estado do Rio de Janeiro, através de seus Deputados Estaduais de todos os partidos e dos Governadores Sergio Cabral e Pezão, acabam de assinar o decreto instituindo as Cotas para Negros e Indígenas no Mestrado e Doutorado das Universidades Públicas Estaduais! Nos Doutorados e Mestrados da USP, UNESP e UNICAMP, menos de 1% dos ingressantes são NEGROS/AS. Por que a Revista Veja esconde esta realidade e não faz matérias mostrando a exclusão na USP, UNESP e UNICAMP?

Direção da EDUCAFRO

Área de anexos

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Porque me tornei a favor das cotas para negros

Cotas para negros: por que mudei de opinião. Juiz federal, mestre em Direito e ferrenho opositor das cotas explica as razões que o fizeram mudar de ideia

 

 

William Douglas, juiz federal (RJ), mestre em Direito (UGF), especialista em Políticas Públicas e Governo (EPPG/UFRJ), professor e escritor, caucasiano e de olhos azuis

Roberto Lyra, Promotor de Justiça, um dos autores do Código Penal de 1940, ao lado de Alcântara Machado e Nelson Hungria, recomendava aos colegas de Ministério Público que “antes de se pedir a prisão de alguém deveria se passar um dia na cadeia”. Gênio, visionário e à frente de seu tempo, Lyra informava que apenas a experiência viva permite compreender bem uma situação.

Quem procurar meus artigos, verá que no início era contra as cotas para negros, defendendo – com boas razões, eu creio – que seria mais razoável e menos complicado reservá-las apenas para os oriundos de escolas públicas. Escrevo hoje para dizer que não penso mais assim. As cotas para negros também devem existir. E digo mais: a urgência de sua consolidação e aperfeiçoamento é extraordinária.

Embora juiz federal, não me valerei de argumentos jurídicos. A Constituição da República é pródiga em planos de igualdade, de correção de injustiças, de construção de uma sociedade mais justa. Quem quiser, nela encontrará todos os fundamentos que precisa. A Constituição de 1988 pode ser usada como se queira, mas me parece evidente que a sua intenção é, de fato, tornar esse país melhor e mais decente. Desde sempre as leis reservaram privilégios para os abastados, não sendo de se exasperarem as classes dominantes se, umas poucas vezes ao menos, sesmarias, capitanias hereditárias, cartórios e financiamentos se dirigirem aos mais necessitados.

Leia também:
O preconceito e a arrogância dos bonzinhos no debate sobre as cotas
Vídeo sobre cotas gera polêmica e reações racistas: “essa conversa não é sobre você”

Não me valerei de argumentos técnicos nem jurídicos dado que ambos os lados os têm em boa monta, e o valor pessoal e a competência dos contendores desse assunto comprovam que há gente de bem, capaz, bem intencionada, honesta e com bons fundamentos dos dois lados da cerca: os que querem as cotas para negros, e os que a rejeitam, todos com bons argumentos.

Por isso, em texto simples, quero deixar clara minha posição como homem, cristão, cidadão, juiz, professor, “guru dos concursos” e qualquer outro adjetivo a que me proponha: as cotas para negros devem ser mantidas e aperfeiçoadas. E meu melhor argumento para isso é o aquele que me convenceu a trocar de lado: “passar um dia na cadeia”. Professor de técnicas de estudo, há nove anos venho fazendo palestras gratuitas sobre como passar no vestibular para a EDUCAFRO, pré-vestibular para negros e carentes.

Mesmo sendo, por ideologia, contra um pré-vestibular “para negros”, aceitei convite para aulas como voluntário naquela ONG por entender que isso seria uma contribuição que poderia ajudar, ou seja, aulas, doação de livros, incentivo. Sempre foi complicado chegar lá e dizer minha antiga opinião contra cotas para negros, mas fazia minha parte com as aulas e livros. E nessa convivência fui descobrindo que se ser pobre é um problema, ser pobre e negro é um problema maior ainda.

Meu pai foi lavrador até seus 19 anos, minha mãe operária de “chão de fábrica”, fui pobre quando menino, remediado quando adolescente. Nada foi fácil, e não cheguei a juiz federal, a 350.000 livros vendidos e a fazer palestras para mais de 750.000 pessoas por um caminho curto, nem fácil. Sei o que é não ter dinheiro, nem portas, nem espaço. Mas tive heróis que me abriram a picada nesse matagal onde passei. E conheço outros heróis, negros, que chegaram longe, como Benedito Gonçalves, Ministro do STJ, Angelina Siqueira, juíza federal. Conheço vários heróis, negros, do Supremo à portaria de meu prédio.

Apenas não acho que temos que exigir heroísmo de cada menino pobre e negro desse país. Minha filha, loura e de olhos claros, estuda há três anos num colégio onde não há um aluno negro sequer, onde há brinquedos, professores bem remunerados, aulas de tudo; sua similar negra, filha de minha empregada, e com a mesma idade, entrou na escola esse ano, escola sem professores, sem carteiras, com banheiro quebrado. Minha filha tem psicóloga para ajudar a lidar com a separação dos pais, foi à Disney, tem aulas de Ballet. A outra, nada, tem um quintal de barro, viagens mais curtas. A filha da empregada, que ajudo quanto posso, visitou minha casa e saiu com o sonho de ter seu próprio quarto, coisa que lhe passou na cabeça quando viu o quarto de minha filha, lindo, decorado, com armário inundado de roupas de princesa. Toda menina é uma princesa, mas há poucas das princesas negras com vestidos compatíveis, e armários, e escolas compatíveis, nesse país imenso. A princesa negra disse para sua mãe que iria orar para Deus pedindo um quarto só para ela, e eu me incomodei por lembrar que Deus ainda insiste em que usemos nossas mãos humanas para fazer Sua Justiça. Sei que Deus espera que eu, seu filho, ajude nesse assunto. E se não cresse em Deus como creio, saberia que com ou sem um ser divino nessa história, esse assunto não está bem resolvido. O assunto demanda de todos nós uma posição consistente, uma que não se prenda apenas à teorias e comece a resolver logo os fatos do cotidiano: faltam quartos e escolas boas para as princesas negras, e também para os príncipes dessa cor de pele.

Não que tenha nada contra o bem estar da minha menina: os avós e os pais dela deram (e dão) muito duro para ela ter isso. Apenas não acho justo nem honesto que lá na frente, daqui a uma década de desigualdade, ambas sejam exigidas da mesma forma. Eu direi para minha filha que a sua similar mais pobre deve ter alguma contrapartida para entrar na faculdade. Não seria igualdade nem honesto tratar as duas da mesma forma só ao completarem quinze anos, mas sim uma desmesurada e cruel maldade, para não escolher palavras mais adequadas.

Não se diga que possamos deixar isso para ser resolvido só no ensino fundamental e médio. É quase como não fazer nada e dizer que tudo se resolverá um dia, aos poucos. Já estamos com duzentos anos de espera por dias mais igualitários. Os pobres sempre foram tratados à margem. O caso é urgente: vamos enfrentar o problema no ensino fundamental, médio, cotas, universidade, distribuição de renda, tributação mais justa e assim por diante. Não podemos adiar nada, nem aguardar nem um pouco.

Foi vendo meninos e meninas negros, e negros e pobres, tentando uma chance, sofrendo, brilhando nos olhos uma esperança incômoda diante de tantas agruras, que fui mudando minha opinião. Não foram argumentos jurídicos, embora eu os conheça, foi passar não um, mas vários “dias na cadeia”. Na cadeia deles, os pobres, lugar de onde vieram meus pais, de um lugar que experimentei um pouco só quando mais moço. De onde eles vêm, as cotas fazem todo sentido.

Se alguém discorda das cotas, me perdoe, mas não devem faze-lo olhando os livros e teses, ou seus temores. Livros, teses, doutrinas e leis servem a qualquer coisa, até ao nazismo. Temores apenas toldam a visão serena. Para quem é contra, com respeito, recomendo um dia “na cadeia”. Um dia de palestra para quatro mil pobres, brancos e negros, onde se vê a esperança tomar forma e precisar de ajuda. Convido todos que são contra as cotas a passar conosco, brancos e negros, uma tarde num cursinho pré-vestibular para quem não tem pão, passagem, escola, psicólogo, cursinho de inglês, ballet, nem coisa parecida, inclusive professores de todas as matérias no ensino médio.

Se você é contra as cotas para negros, eu o respeito. Aliás, também fui contra por muito tempo. Mas peço uma reflexão nessa semana: na escola, no bairro, no restaurante, nos lugares que freqüenta, repare quantos negros existem ao seu lado, em condições de igualdade (não vale porteiro, motorista, servente ou coisa parecida). Se há poucos negros ao seu redor, me perdoe, mas você precisa “passar um dia na cadeia” antes de firmar uma posição coerente não com as teorias (elas servem pra tudo), mas com a realidade desse país. Com nossa realidade urgente. Nada me convenceu, amigos, senão a realidade, senão os meninos e meninas querendo estudar ao invés de qualquer outra coisa, querendo vencer, querendo uma chance.

Ah, sim, “os negros vão atrapalhar a universidade, baixar seu nível”, conheço esse argumento e ele sempre me preocupou, confesso. Mas os cotistas já mostraram que sua média de notas é maior, e menor a média de faltas do que as de quem nunca precisou das cotas. Curiosamente, negros ricos e não cotistas faltam mais às aulas do que negros pobres que precisaram das cotas. A explicação é simples: apesar de tudo a menos por tanto tempo, e talvez por isso, eles se agarram com tanta fé e garra ao pouco que lhe dão, que suas notas são melhores do que a média de quem não teve tanta dificuldade para pavimentar seu chão. Somos todos humanos, e todos frágeis e toscos: apenas precisamos dar chance para todos.

Precisamos confirmar as cotas para negros e para os oriundos da escola pública. Temos que podemos considerar não apenas os deficientes físicos (o que todo mundo aceita), mas também os econômicos, e dar a eles uma oportunidade de igualdade, uma contrapartida para caminharem com seus co-irmãos de raça (humana) e seus concidadãos, de um país que se quer solidário, igualitário, plural e democrático. Não podemos ter tanta paciência para resolver a discriminação racial que existe na prática: vamos dar saltos ao invés de rastejar em direção a políticas afirmativas de uma nova realidade.

Se você não concorda, respeito, mas só se você passar um dia conosco “na cadeia”. Vendo e sentindo o que você verá e sentirá naquele meio, ou você sairá concordando conosco, ou ao menos sem tanta convicção contra o que estamos querendo: igualdade de oportunidades, ou ao menos uma chance. Não para minha filha, ou a sua, elas não precisarão ser heroínas e nós já conseguimos para elas uma estrada. Queremos um caminho para passar quem não está tendo chance alguma, ao menos chance honesta. Daqui a alguns poucos anos, se vierem as cotas, a realidade será outra. Uma melhor. E queremos você conosco nessa história.

Não creio que esse mundo seja seguro para minha filha, que tem tudo, se ele não for ao menos um pouco mais justo para com os filhos dos outros, que talvez não tenham tido minha sorte. Talvez seus filhos tenham tudo, mas tudo não basta se os filhos dos outros não tiverem alguma coisa. Seja como for, por ideal, egoísmo (de proteger o mundo onde vão morar nossos filhos), ou por passar alguns dias por ano “na cadeia” com meninos pobres, negros, amarelos, pardos, brancos, é que aposto meus olhos azuis dizendo que precisamos das cotas, agora.

E, claro, financiar os meninos pobres, negros, pardos, amarelos e brancos, para que estudem e pelo conhecimento mudem sua história, e a do nosso país comum pois, afinal de contas, moraremos todos naquilo que estamos construindo.

Então, como diria Roberto Lyra, em uma de suas falas, “O sol nascerá para todos. Todos dirão – nós – e não – eu. E amarão ao próximo por amor próprio. Cada um repetirá: possuo o que dei. Curvemo-nos ante a aurora da verdade dita pela beleza, da justiça expressa pelo amor.

Justiça expressa pelo amor e pela experiência, não pelas teses. As cotas são justas, honestas, solidárias, necessárias. E, mais que tudo, urgentes. Ou fique a favor, ou pelo menos visite a cadeia.

fonte: Pragmatista


Nota do exame vale para outros programas oferecidos pelo MEC

A nota do candidato no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), que será realizado nos dias 8 e 9 de novembro próximo, além de ser usada para ingresso em instituições de educação superior públicas, como universidades e institutos federais de educação, ciência e tecnologia, também abre portas para programas do governo federal. Uma boa média final pode garantir o acesso a programas como o Universidade para Todos (ProUni), o Ciência sem Fronteiras e o de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec).

Na correção da prova, o Enem adota a teoria de resposta ao item — o valor de cada questão varia de acordo com o percentual de acertos e erros. A pergunta que tiver um alto número de acertos será considerada fácil. Assim, valerá menos. Mas se o participante do exame confirmar uma questão com poucas respostas certas ganhará mais pontos. Assim, dois participantes que tiverem o mesmo número de acertos dificilmente obterão a mesma média final.

A prova de redação tem método de correção diferente. Para a avaliação do texto, dois profissionais atribuem nota que vai até 200 em cada uma das cinco competências atribuídas. Serão avaliados o domínio da norma padrão da língua portuguesa, a compreensão da proposta da redação e também a seleção e a organização das informações. Além disso, a argumentação e uma proposta de solução para os problemas abordados fazem parte dos critérios de correção.

No primeiro dia do Enem (sábado, 8 de novembro), os candidatos terão quatro horas e meia para fazer as provas de história, geografia, filosofia, sociologia, química, física e biologia. No segundo (domingo, 9), cinco horas e meia para as de matemática, língua portuguesa, literatura, artes, educação física, tecnologias da informação e comunicação e língua estrangeira, além da redação. Nos dois dias, as provas terão início às 13h, no horário de Brasília.

Para ter acesso ao local de provas, o candidato deve apresentar documento de identidade com foto. Durante o exame, terá de preencher o caderno de respostas com caneta esferográfica preta. Ele terá permissão para deixar o local da prova somente duas horas após o início. Além disso, só será autorizado a levar o caderno de questões se sair nos 30 minutos finais da prova.

Fonte: Mec


Uma homenagem prática a São Francisco

Demorou, mas a missão está cumprida!
A EDUCAFRO se comprometeu a colocar
seu bonito trabalho na mídia e agora foi: o sistema globo acolheu o nosso pedido!
E bem na semana em homenagem a São Francisco de Assis,
Padroeiro da ECOLOGIA!
Vejam abaixo que belo exemplo para ser seguido por todos
os que moram nos grandes centros!
É uma aula de economia doméstica!
Parabéns confrades do Convento de Santo Antônio, Rio,