educafro-1-ano-de-resistencia-20-de-agosto

Nunca tão poucos fizeram tanto por tantos!

Era o dia 20 de agosto de 2018. 7 jovens guerreiros/as acorrentados/as no pátio da Secretaria de Justiça e Cidadania de São Paulo. Ali passaram 13 dias. Alimentando-se ali… dormindo ali. Tudo isso em prol de uma causa. Você se lembra?

Muitas vezes, com a correria do dia a dia, nos esquecemos de momentos importantes da nossa história. Mas aqui na EDUCAFRO, dia 21 de agosto é dia de relembrar, de celebrar, de resistir. Há exatos 365 dias, aconteceu o Protesto das Correntes, onde 4 mulheres e 3 homens, voluntários da EDUCAFRO, se manifestaram com seus corpos para que a Lei 1.259/……….. fosse regulamentada.

Foram dias de luta, de dor, de frio. Dias em que, além dos 7 guerreiros, muitos outros guerreiros/as se uniram para defender um povo. Eram advogados, voluntários, militantes, todos em busca de um único resultado: Mais direitos para nós, negros. É o que conta o voluntário Samuel, um dos 3 homens acorrentados no protestos.

“Fomos acorrentados durante 13 dias na Secretaria de Justiça e Cidadania, onde nós reivindicávamos a regulamentação da lei 1259, que tem o objetivo de incluir a população preta, parda e indígena (PPI). Essa Lei havia sido aprovada na Assembléia Legislativa em 2015 mas não havia sido regulamentada pelo então governador Geraldo Alckmin. Após essa reivindicação, e a luta do Frei David no Palácio dos Bandeirantes, nós conseguimos ver essa lei regulamentada em 19 de dezembro de 2018. Aqueles treze dias não foram fáceis. Nós estávamos em 7, 3 homens e 4 mulheres. Nós dormíamos no chão. As refeições eram servidas ali mesmo. Mas conseguimos resistir.”

A Lei 1259 tem por objetivo principal garantir que haja um sistema de pontuação diferenciada em concursos públicos para os candidatos pretos, pardos e indígenas. E se hoje essa Lei existe, se hoje nosso povo tem políticas de ação afirmativas nos concursos do Estado de São Paulo, é porque no passado houve luta, houve resistência.

Mas, mesmo um ano depois, a luta continua, como conta o depoimento da Ester, nossa voluntária, que foi uma das 4 mulheres acorrentadas durante 13 dias.

“ver essa conquista um ano depois, uma conquista através dos corpos físicos, quase 134 anos após a abolição da escravatura, em pleno 2018, no estado de São Paulo, um estado tão inovador, tão cheio de estrutura, mas com o mínimo de apoio para as políticas públicas. Com as cotas na secretaria da justiça não foi diferente. Há, ainda, uma forte excludente com o povo negro, com o povo pobre, em um dos maiores estados do Brasil, e um dos maiores da América Latina, e também um dos maiores em relação ao racismo e ao preconceito. Falar de um ano, ainda é falar com dor, ainda é falar com indignação, porque falta muito à fazer. Na prática a mudança ainda está muito tímida. É uma violência. Não há o que comemorar, mas vamos continuar na resistência e pedimos para as próximas gerações fazerem o mesmo.”

Ao final dos 13 dias, já muito cansados, os 7 guerreiros deixaram a Secretaria de Justiça. Mas então foi a vez do Frei David dar continuidade aos protestos no Palácio dos Bandeirantes, com transmissão para todo o Brasil. Com toda essa pressão, o governo cedeu e conseguimos a nossa vitória.

Uma vitória que ficará marcada para sempre, como confirma a voluntária Priscila, que também estava entre as 4 mulheres que se acorrentaram no Protesto das Correntes:

“Nós tomamos a decisão de fazer algo para mudar a história. Sabíamos que se fossemos para as ruas, o resultado não seria tão satisfatório. Então resolvemos fazer algo revolucionário. Com poucas pessoas, mas pessoas conscientes. Foi um ato voluntário de cada integrante, não houve nenhum envolvimento de força, foi uma decisão própria nossa. Nós decidimos mudar a realidade do nosso povo. Foram 13 dias de luta e resistência. Nossa resistência maior não foi física, mas sim psicológica. Pois a gente precisava se manter com foco, saber porque estávamos ali e entender o que nos motivou à chegar ali. Foi algo marcante, 7 pessoas conscientes e resistentes mudaram a história do estado de São Paulo. Foram momentos difíceis, mas nunca pensamos em desistir. Sempre pensávamos em permanecer, lutar, continuar, trazer a memória à luta dos nossos ancestrais. Foi um marco, passou um ano muito rápido, mas não podemos nos esquecer jamais. Não foram as 7 pessoas, foi a entidade EDUCAFRO que lutou para que isso acontecesse.

Naquele dia, há um ano atrás, Priscila, Ester, Suedi, Izania, Braziel, Uendel e Samuel, decidiram fazer história, mudar a história. Mas e hoje, um ano depois, o que mudou? O que ainda falta mudar? O que você tem feito para mudar? Olhando para o nosso passado, vemos lutas. Olhando para o nosso presente, vemos conquistas. Mas e o futuro? O que ele nos reserva?

Você, que está lendo esse texto agora, é o nosso futuro. Você é capaz de se unir ao nosso povo para combater, resistir e transformar? Você, independente do lugar que esteja, pode ser resistência. Você pode ser força. Você pode ser transformação.

O protesto das correntes acabou, mas a nossa luta, mesmo depois de um ano, continua! Como Frei David disse durante o protesto “Nunca, tão poucos fizeram tanto por tantos”. Mas se apenas 7 guerreiros fizeram tanto, imagine então quando formos todos lutando por um país melhor, mais igualitário e mais justo? Essa luta também é sua!

Vamos juntos?


Nunca tão poucos fizeram tanto por tantos!

Era o dia 20 de agosto de 2018. 7 jovens guerreiros/as acorrentados/as no pátio da Secretaria de Justiça e Cidadania de São Paulo. Ali passaram 13 dias. Alimentando-se ali... dormindo ali. Tudo isso em prol de uma causa. Você se lembra?

Muitas vezes, com a correria do dia a dia, nos esquecemos de momentos importantes da nossa história. Mas aqui na EDUCAFRO, dia 21 de agosto é dia de relembrar, de celebrar, de resistir. Há exatos 365 dias, aconteceu o Protesto das Correntes, onde 4 mulheres e 3 homens, voluntários da EDUCAFRO, se manifestaram com seus corpos para que a Lei 1.259/........... fosse regulamentada.

Foram dias de luta, de dor, de frio. Dias em que, além dos 7 guerreiros, muitos outros guerreiros/as se uniram para defender um povo. Eram advogados, voluntários, militantes, todos em busca de um único resultado: Mais direitos para nós, negros. É o que conta o voluntário Samuel, um dos 3 homens acorrentados no protestos.

“Fomos acorrentados durante 13 dias na Secretaria de Justiça e Cidadania, onde nós reivindicávamos a regulamentação da lei 1259, que tem o objetivo de incluir a população preta, parda e indígena (PPI). Essa Lei havia sido aprovada na Assembléia Legislativa em 2015 mas não havia sido regulamentada pelo então governador Geraldo Alckmin. Após essa reivindicação, e a luta do Frei David no Palácio dos Bandeirantes, nós conseguimos ver essa lei regulamentada em 19 de dezembro de 2018. Aqueles treze dias não foram fáceis. Nós estávamos em 7, 3 homens e 4 mulheres. Nós dormíamos no chão. As refeições eram servidas ali mesmo. Mas conseguimos resistir.”

A Lei 1259 tem por objetivo principal garantir que haja um sistema de pontuação diferenciada em concursos públicos para os candidatos pretos, pardos e indígenas. E se hoje essa Lei existe, se hoje nosso povo tem políticas de ação afirmativas nos concursos do Estado de São Paulo, é porque no passado houve luta, houve resistência.

Mas, mesmo um ano depois, a luta continua, como conta o depoimento da Ester, nossa voluntária, que foi uma das 4 mulheres acorrentadas durante 13 dias.

“ver essa conquista um ano depois, uma conquista através dos corpos físicos, quase 134 anos após a abolição da escravatura, em pleno 2018, no estado de São Paulo, um estado tão inovador, tão cheio de estrutura, mas com o mínimo de apoio para as políticas públicas. Com as cotas na secretaria da justiça não foi diferente. Há, ainda, uma forte excludente com o povo negro, com o povo pobre, em um dos maiores estados do Brasil, e um dos maiores da América Latina, e também um dos maiores em relação ao racismo e ao preconceito. Falar de um ano, ainda é falar com dor, ainda é falar com indignação, porque falta muito à fazer. Na prática a mudança ainda está muito tímida. É uma violência. Não há o que comemorar, mas vamos continuar na resistência e pedimos para as próximas gerações fazerem o mesmo.”

Ao final dos 13 dias, já muito cansados, os 7 guerreiros deixaram a Secretaria de Justiça. Mas então foi a vez do Frei David dar continuidade aos protestos no Palácio dos Bandeirantes, com transmissão para todo o Brasil. Com toda essa pressão, o governo cedeu e conseguimos a nossa vitória.

Uma vitória que ficará marcada para sempre, como confirma a voluntária Priscila, que também estava entre as 4 mulheres que se acorrentaram no Protesto das Correntes:

“Nós tomamos a decisão de fazer algo para mudar a história. Sabíamos que se fossemos para as ruas, o resultado não seria tão satisfatório. Então resolvemos fazer algo revolucionário. Com poucas pessoas, mas pessoas conscientes. Foi um ato voluntário de cada integrante, não houve nenhum envolvimento de força, foi uma decisão própria nossa. Nós decidimos mudar a realidade do nosso povo. Foram 13 dias de luta e resistência. Nossa resistência maior não foi física, mas sim psicológica. Pois a gente precisava se manter com foco, saber porque estávamos ali e entender o que nos motivou à chegar ali. Foi algo marcante, 7 pessoas conscientes e resistentes mudaram a história do estado de São Paulo. Foram momentos difíceis, mas nunca pensamos em desistir. Sempre pensávamos em permanecer, lutar, continuar, trazer a memória à luta dos nossos ancestrais. Foi um marco, passou um ano muito rápido, mas não podemos nos esquecer jamais. Não foram as 7 pessoas, foi a entidade EDUCAFRO que lutou para que isso acontecesse.

Naquele dia, há um ano atrás, Priscila, Ester, Suedi, Izania, Braziel, Uendel e Samuel, decidiram fazer história, mudar a história. Mas e hoje, um ano depois, o que mudou? O que ainda falta mudar? O que você tem feito para mudar? Olhando para o nosso passado, vemos lutas. Olhando para o nosso presente, vemos conquistas. Mas e o futuro? O que ele nos reserva?

Você, que está lendo esse texto agora, é o nosso futuro. Você é capaz de se unir ao nosso povo para combater, resistir e transformar? Você, independente do lugar que esteja, pode ser resistência. Você pode ser força. Você pode ser transformação.

O protesto das correntes acabou, mas a nossa luta, mesmo depois de um ano, continua! Como Frei David disse durante o protesto “Nunca, tão poucos fizeram tanto por tantos”. Mas se apenas 7 guerreiros fizeram tanto, imagine então quando formos todos lutando por um país melhor, mais igualitário e mais justo? Essa luta também é sua!

Vamos juntos?