O que você tem visto nesta pandemia?

Não podemos negar. Temos vivido momentos difíceis. Momentos onde o racismo estrutural e institucional se escancara, mostrando o tamanho da desigualdade social no Brasil.

Temos visto muito.  Temos feito diversas atividades para impactar e empoderar nosso povo preto. Através da política, da edução, da empregabilidade, da Tecnologia da Informação. E ainda assim, temos visto muito. Muitas coisas que não deveriam existir.

Para mudar ainda mais essa situação, no último domingo, dia 12/07, iniciamos um novo momento da nossa história nesta pandemia.

Mas como essa história começou?

O ministério público do trabalho conseguiu que a justiça transformasse em  multa, penalidades. A EDUCAFRO foi escolhida para organizar atendimento a famílias carentes, com as verbas destas multas.

E quem luta com a gente?

Para começar essa distribuição, entendemos que precisávamos de aliados! Por isso construimos uma parceria com o Instituto Equânime Afro Brasil. Se você ainda não conhece o instituto, deveria! O Instituto tem a missão de lutar por melhoras na saúde da população preta no país, um assunto quase esquecido no Brasil. E faz isso através de políticas públicas, compartilhamento de informação e formações. Neste período de pandemia, o Instituto tem levado cestas básicas, ítens de higiene e muito mais para diversas comunidades periféricas de São Paulo. Já são diversos domingos que o Instituto tem realizado esse trabalho, com o apoio de uma equipe incansável de voluntários.

E foi em parceria de luta com o Equânime que começamos essa jornada.

A primeira Entrega?

O local escolhido para a primeira entrega foi a Comunidade da Brasilândia, onde tivemos a oportunidade de ajudar 194 famílias! Levamos cestas básicas, legumes e verduras, absorventes, álcool em gel, máscaras e, além desses materiais essenciais, levamos também oportunidade!

Sim, levamos para eles através de um folder informativo, algumas das principais oportunidades que a EDUCAFRO oferece. Levamos também, várias dicas de saúde nesse período, todas fornecidas pelo Instituto Equânime. Um momento onde levamos além do básico, levamos oportunidade, levamos informação, levamos chances de mudar realidades.

Daqui pra frente?

Ainda há muito a ser feito, a gente sabe! Mas não podemos e não queremos parar. Queremos não apenas ver. Queremos agir. E enquanto existir desigualdade, racismo e falta de amor, vamos lutar. Lutar pelo nosso povo.

As ações durarão os meses de julho, agosto e setembro e iremos atender periferias das zonas leste, norte e sul, atingindo muitas comunidades!!

Agradecemos a nossa equipe de voluntários que trabalhou com coragem para garantir que essa ação acontecesse! Vocês são guerreiros e guerreiras!

As verdades que a desigualdade expõem nos incomodam cada vez mais. E se não te incomodam, você precisa rever seus conceitos.

Vamos juntas e juntos?

 


AOS UNIVERSITÁRIOS, BOLSISTAS, NÚCLEOS e futuros interessados em bolsas

AOS UNIVERSITÁRIOS, BOLSISTAS, NÚCLEOS e futuros interessados em bolsas:

orientações em consequência da COVID-19

A Diretoria envia energias espirituais para todos os membros da família EDUCAFRO que já perderam parentes ou amigos/as, vítimas do convid-19, bem como para os que se encontram doentes, no momento.

Entendemos que o cenário, mundial não está favorável para ninguém e nós, negros e brancos pobres, somos os mais afetados nessa crise, mais uma vez. As pesquisas revelam que as pessoas negras têm 62% mais possibilidades de morrer por Convid-19 do que as pessoas brancas.

Tendo em vista esse cenário, a EDUCAFRO avisa que continuará com seu atendimento ON-LINE funcionando e suas atividades presenciais suspensas, até a decisão das autoridades estaduais ou municipais autorizarem a retomada das atividades do nosso setor. As reuniões gerais e trabalhos comunitários só serão retomadas quando o governo autorizar. Na oportunidade soltaremos uma nova nota.

Como é do conhecimento de todas/os, a EDUCAFRO trabalha intensamente para garantir que os pobres tenham mais oportunidades no ensino e no trabalho. Tendo em vista isso conseguimos migrar boa parte de nossas atividades para o campo virtual. Com isso intensificamos nossa parceria com o Descomplica e foram disponibilizadas para todos os núcleos presenciais, link para ministrarem aulas online, como um apoio ao trabalho presencial do professor. As aulas da EDUCAFRO tech passaram a ser virtuais, inclusive com cursos novos e novas formatações, com programas/ferramentas específicas para o projeto, atendimento via telefone fixo e móvel e outra atividade também continua regularmente funcionando.

Devido ao isolamento social, muitas de nossas parceiras suspenderam as aulas presenciais, adequaram os seus cursos para a modalidade EaD. Os que não foram possíveis, a Faculdade/Universidade flexibilizou para possibilitar o aluno trancar seu curso, possibilitando-o destrancar, oportunamente, sem perdas financeiras, das matérias e da bolsa.

Muitos desses alunos já enviaram o seu protocolo de trancamento para a Educafro e já solicitaram trancar seu plano na EDUCAFRO, onde possibilita que o sistema congela a contribuição e possíveis multas, não onerando o associado.

Se você trancou a sua matrícula na Universidade, e não solicitou o trancamento do seu plano na EDUCAFRO, por favor envie o protocolo de trancamento, nome completo e CPF, para o e-mail: comunicacao@educafro.org.br o mais breve possível. Se não trancou, mas está com problemas financeiros, avise-nos. Vamos solicitar a carta instituição parceira uma condição especial de negociação para não prejudicar o aluno e associado da EDUCAFRO. A negociação vai beneficiar todo o grupo. Negociar sozinho, os pequenos perdem sempre. A USF, mesmo antes do COVID-19 já aceitado conversar com a EDUCAFRO, em vista dos alunos que estão com dificuldades.

Tendo em vista a crise causada pela Convid-19, a EDUCAFRO está concedendo isenção das multas de todos os trabalhos comunitários referente ao primeiro semestre de 2020 e das reuniões gerais de março a junho deste ano de 2020.

A renovação das bolsas começa no dia 18 de maio até dia 19 julho de 2020. É só entrar no seu portal e fazer a sua contribuição via cartão ou boleto.

Lembramos que todos os núcleos estão com total oportunidade para dar prosseguimento às aulas do pré-vestibular e mais: estamos incentivando a cada universitário consciente, a abrir núcleos EDUCAFRO de pré-vestibular online. Como? Veja no nosso site ou telefone para (11) 9 6173 3341.

Para as pessoas que desejam uma bolsa via EDUCAFRO, acreditamos que a partir de 20 de maio já teremos um plano de bolsas de estudo para o segundo semestre.

Lembramos que se você está de quarentena e com dificuldades financeiras, a EDUCAFRO lançou cursos de introdução ao TI, com prêmios de R$100,00 por semana, para quem cumpre as tarefas. Você pode ser um/a dos/as premiados/as e ter um dinheiro a mais por semana para enfrentar a quarentena!

Qualquer dúvida estamos a disposição no atendimento via email: contabilidade@educafro.org.br  Falar com Agnaldo

comunicacao@educafro.org.br Falar com Wesley

apoio@educafro.org.br - Falar com Brenda

site@educafro.org.br Falar com Gabriel

universitarios@educafro.org.br  - Falar com o Sirllon

Ou pelos telefones fixo (11)3106-2790/ 3106-3411,

What. (11) 96173-6869 das 10:00h às 20h

 

Atenciosamente,

Coordenação Educafro

 

 


EDUCAFRO e o Coronavirus | Suspensão das Atividades

EDUCAFRO e o coronavirus

Considerando que os(as) alunos(as) da EDUCAFRO chegam às aulas e eventos por meio de ônibus e metrôs super lotados, podendo pegar e transmitir o vírus nos eventos e salas, a EDUCAFRO amplia a suspensão de todos os seus eventos e aulas, até 27/03/2020

Isso em todas as suas unidades e regionais.

Os professores apresentam e recebem os trabalhos e estudos. Corrigem e devolvem as correções. Tudo on-line.

O atendimento individual, presencial, online ou por telefone continua normalmente, das 10 às 20 horas.

Os que não dependem de transporte estão vindo normalmente.

Diretor Executivo
Frei David Santos OFM


COVID-19 E O TRABALHO DOMÉSTICO NA PANDEMIA

As letras da música “A Carne”, eternizadas na voz de Elza Soares, retratam um Brasil que até os dias atuais trata o corpo negro como mercadoria. Quando a cantora diz: “a carne mais barata é a carne negra” denuncia a desumanização de pessoas negras que chegam a ser confundidas como objetos de pouco valor, aos quais ocupam majoritariamente os espaços de invisibilidade, opressão e violência. Ao ser objetificado, o corpo negro é visto consequentemente como propriedade da classe média, filha do passado escravocrata. Os escravizados da casa grande de ontem são os agregados dos lares de hoje: a empregada doméstica, o jardineiro, o porteiro, o motorista etc - categorias marcadas pela cor preta ou parda e pelos laços de servilidade que as acompanham. Nesse contexto​, ​a recente morte de Ana Maria Gonçalves moradora de Miguel Pereira -RJ, ​empregada doméstica, vítima do COVID-19, evidencia a mesma problemática narrada por Elza Soares: o genocídio de corpos sem valor.

Ao retornar recentemente da Itália, país com maior número de mortes causadas pelo coronavírus, a empregadora sabia que havia possibilidade de estar infectada pelo COVID-19. A despeito disso, não dispensou Ana Maria Gonçalves de seu isolamento. Alguns dias depois, a empregada doméstica morre devido a contaminação pela patroa. Afinal, assim como no tempo colonial: se morrer, compra outro (a). A vítima da negligência às normas sanitárias de isolamento pela empregadora não era vista como ser humano, mas como propriedade. Foi vítima também desumanização histórica de profissionais do lar. Esse caso, se repete no Brasil afora como destacam as notícias sobre contaminação ​comunitária​.

Em contraponto à história brasileira, no restante da América, escravos eram acessíveis apenas à elite real, aos grandes latifundiários, aos membros da corte ou aos donos de grandes negócios - não a uma pequena classe média. Em vista disso, na Argentina a regulamentação do trabalho doméstico se deu em 1972, muitos anos antes do Brasil instituir a ​Lei Complementar 150 de junho de 2015​, que assegura novos direitos aos trabalhadores da categoria. A regulação deste trabalho nos EUA, garante que o salário mínimo de um profissional doméstico seja 20% superior ao mínimo de US$ 7,50 a hora. Último país a regulamentar a profissão de empregado doméstico​, ​o Brasil está longe de garantir dignidade à categoria dado que dos 6 milhões de profissionais, 4 milhões aproximadamente trabalham na informalidade, segundo dados recentes do IBGE.

Base da pirâmide social, as mulheres negras são a maioria que compõe essa estatística e são, portanto, as mais vulneráveis nesta crise sanitária. Neste sentido, sob a ótica da ”cordialidade" da família classe média brasileira, descrita e sintetizada por Sérgio Buarque de Holanda em Raízes do Brasil, destaca-se a passivo-agressividade travestida de bondade: ao mesmo tempo que ela diz considerar, especialmente essas mulheres, como "parte da família", não lhes concede direitos expressos na lei. Apesar de parecer contraditório, condiz perfeitamente com os resquícios da escravidão: qual outro profissional é considerado da família pelo empregador? A ideia de família serve para retirar o caráter impessoal do trabalho sucumbindo o profissionalismo da atividade pela não garantia de direitos básicos.

Combinado a tal cenário, a crise econômica que atingiu o Brasil de 2015 a 2017, agravou a precarização do trabalho desses profissionais uma vez que neste período aflora o fenômeno de ​uberização da economia, o qual dar maior espaço às atividades desreguladas pela CLT. Trabalhos análogos è escravidão também se torna mais frequente no noticiário - vale relembrar da ​trabalhadora doméstica que, desempregada e há três dias sem comer, oferece faxina em troca comida.

Retomando a música da Elza que retrata o Brasil de sempre: racista e genocida com a população negra e pobre (“​A carne mais barata do mercado é a carne negra; Só-só cego não vê; Que vai de graça pro presídio; E para debaixo do plástico ; E vai de graça pro subemprego; E pros hospitais...."), não podemos esquecer do trecho que ela canta ser necessário continuarmos lutando, brigando - “[...] brigar sutilmente por respeito/ brigar bravamente por respeito/ brigar por justiça”. ​Com isso é importante, especialmente nesta crise, a negritude reforçar sua humanidade e brigar pelo direito de não morrer vítima de uma doença altamente contagiosa por parte negligência de setores da sociedade que não enxergam valor em corpos negros.

Andreza da Silva Pereira da Conceição é Graduanda em Economia na FEA USP, e membro do Coletivo Carolina Maria de Jesus da FEA USP

Paulo Victor Bento Honorio é Graduando em Administração na FEA USP, e Voluntário no setor de Políticas Públicas da Educafro.


EDUCAFRO e o coronavirus

Considerando que os(as) alunos(as) da EDUCAFRO chegam às aulas e eventos por meio de ônibus e metrôs super lotados, podendo pegar e transmitir o vírus nos eventos e salas, a EDUCAFRO amplia a *suspensão de todos os seus eventos e aulas, até vir autorização de reabertura por parte das autoridades.

Isso em todas as suas unidades e regionais.

Os professores apresentam e recebem os trabalhos e estudos, on-line.

O atendimento individual, online ou por telefone continua normalmente, das 10 às 18 horas.

Diretor Executivo
Frei David Santos OFM


COVID-19 E O TRABALHO DOMÉSTICO NA PANDEMIA

As letras da música “A Carne”, eternizadas na voz de Elza Soares, retratam um Brasil que até os dias atuais trata o corpo negro como mercadoria. Quando a cantora diz: “a carne mais barata é a carne negra” denuncia a desumanização de pessoas negras que chegam a ser confundidas como objetos de pouco valor, aos quais ocupam majoritariamente os espaços de invisibilidade, opressão e violência. Ao ser objetificado, o corpo negro é visto consequentemente como propriedade da classe média, filha do passado escravocrata. Os escravizados da casa grande de ontem são os agregados dos lares de hoje: a empregada doméstica, o jardineiro, o porteiro, o motorista etc - categorias marcadas pela cor preta ou parda e pelos laços de servilidade que as acompanham. Nesse contexto​, ​a recente morte de Ana Maria Gonçalves moradora de Miguel Pereira -RJ, ​empregada doméstica, vítima do COVID-19, evidencia a mesma problemática narrada por Elza Soares: o genocídio de corpos sem valor.

Ao retornar recentemente da Itália, país com maior número de mortes causadas pelo coronavírus, a empregadora sabia que havia possibilidade de estar infectada pelo COVID-19. A despeito disso, não dispensou Ana Maria Gonçalves de seu isolamento. Alguns dias depois, a empregada doméstica morre devido a contaminação pela patroa. Afinal, assim como no tempo colonial: se morrer, compra outro (a). A vítima da negligência às normas sanitárias de isolamento pela empregadora não era vista como ser humano, mas como propriedade. Foi vítima também desumanização histórica de profissionais do lar. Esse caso, se repete no Brasil afora como destacam as notícias sobre contaminação ​comunitária​.

Em contraponto à história brasileira, no restante da América, escravos eram acessíveis apenas à elite real, aos grandes latifundiários, aos membros da corte ou aos donos de grandes negócios - não a uma pequena classe média. Em vista disso, na Argentina a regulamentação do trabalho doméstico se deu em 1972, muitos anos antes do Brasil instituir a ​Lei Complementar 150 de junho de 2015​, que assegura novos direitos aos trabalhadores da categoria. A regulação deste trabalho nos EUA, garante que o salário mínimo de um profissional doméstico seja 20% superior ao mínimo de US$ 7,50 a hora. Último país a regulamentar a profissão de empregado doméstico​, ​o Brasil está longe de garantir dignidade à categoria dado que dos 6 milhões de profissionais, 4 milhões aproximadamente trabalham na informalidade, segundo dados recentes do IBGE.

Base da pirâmide social, as mulheres negras são a maioria que compõe essa estatística e são, portanto, as mais vulneráveis nesta crise sanitária. Neste sentido, sob a ótica da ”cordialidade" da família classe média brasileira, descrita e sintetizada por Sérgio Buarque de Holanda em Raízes do Brasil, destaca-se a passivo-agressividade travestida de bondade: ao mesmo tempo que ela diz considerar, especialmente essas mulheres, como "parte da família", não lhes concede direitos expressos na lei. Apesar de parecer contraditório, condiz perfeitamente com os resquícios da escravidão: qual outro profissional é considerado da família pelo empregador? A ideia de família serve para retirar o caráter impessoal do trabalho sucumbindo o profissionalismo da atividade pela não garantia de direitos básicos.

Combinado a tal cenário, a crise econômica que atingiu o Brasil de 2015 a 2017, agravou a precarização do trabalho desses profissionais uma vez que neste período aflora o fenômeno de ​uberização da economia, o qual dar maior espaço às atividades desreguladas pela CLT. Trabalhos análogos è escravidão também se torna mais frequente no noticiário - vale relembrar da ​trabalhadora doméstica que, desempregada e há três dias sem comer, oferece faxina em troca comida.

Retomando a música da Elza que retrata o Brasil de sempre: racista e genocida com a população negra e pobre (“​A carne mais barata do mercado é a carne negra; Só-só cego não vê; Que vai de graça pro presídio; E para debaixo do plástico ; E vai de graça pro subemprego; E pros hospitais...."), não podemos esquecer do trecho que ela canta ser necessário continuarmos lutando, brigando - “[...] brigar sutilmente por respeito/ brigar bravamente por respeito/ brigar por justiça”. ​Com isso é importante, especialmente nesta crise, a negritude reforçar sua humanidade e brigar pelo direito de não morrer vítima de uma doença altamente contagiosa por parte negligência de setores da sociedade que não enxergam valor em corpos negros.

Andreza da Silva Pereira da Conceição é Graduanda em Economia na FEA USP, e membro do Coletivo Carolina Maria de Jesus da FEA USP

Paulo Victor Bento Honorio é Graduando em Administração na FEA USP, e Voluntário no setor de Políticas Públicas da Educafro.